Olá meu querido,
Que saudades tenho tuas. Que falta me fazes, não só quando estou triste, mas também quando estou feliz. Tal como quando eu pequena, e chegava da escola para correr para o teu colo. O teu colo tão querido e terno, tão cheio de amor.
Lembro de tantas coisas tuas. Lembro que gostavas de ouvir os parodiantes, todos os dias à hora do almoço....
lembro-me que gostavas de fumar o teu português suave sem filtro, e de estar sentado no teu cadeirão à frente da janela, embrulhado no teu roupão.
De me sentares ao teu colo para me ajudares a fazer os trabalhos da escola. e a paciência que tu tinhas, para as mihas birras de criança tonta e mimada.
De me ires buscar à escola enquanto conseguias ver. Das bolas de berlim que me compravas para o lanche.
Lembro-me de saires sempre de fato e com a tua boina caracteristicas. de me ires tapar à cama, de me diseres que eu era a tua netinha e, que gostavas de mim.
Lembro-me de quando já era mais crescida de me dares conselhos para os pais não ralharem comigo. E das lições de vida.
Lembro-me de pouco antes de sair de casa para ir para ao pé da mãe, tu encobrires as minhas saídas para o pai não ralhar comigo.
Lembro-me do teu olhar, parecia gasto e usado, nesses oculos enormes. Lembro-me de apesar já seres velhinho me ajudares a arrumar a casa.
Lembro-me de seres quase careca, só com meia duzia de cabelos totalmente brancos.
Mas não me lembro da tua cara, não me lembro do teu cheiro. E isso deixa-me como que perdida.
Se soubesse o quanto preciso de ti para me orientares, para falar dos meus problemas, paa falar dos meus medos. Para te mostrar o meu filho. Ias adorá-lo, acho que ele faz lembra a tua netinha quando era pequenina.
Há dias que se estivesses vivo correria para ti, na busca do abraço que preciso para me dar forças, do calor que me iria aquecer a alma, do amor que só tu me soubeste dar.
Sei que me amas-te pelo que eu era, pelo que me ensinas-te a ser e por eu existir. E eu amo-te ainda hoje, apesar de não te poder ver, de não te poder cheirar, de não te poder abraçar.
E há tantas noites que adormeço a pensar em ti, a imaginar que ainda me vens aconchegar na minha cama.
Só não me perdoo por nao me ter despedido de ti....mas não tive a culpa. Não soube. Não me disseram. E perdi-te para sempre, porque acho que não me perdoaste por eu não ter ficado contigo.
Mas quero-te dizer, que vou-te amar sempre enquanto a minha memória me deixar recordar. E mesmo que não me recorde, tenho a certeza de que estaras sempre comigo, apesar de não te sentir.
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