domingo, 18 de novembro de 2007

18 NOVEMBRO 2007

Meu caro amigo,
Nunca escrevi nada, ou melhor escrevi as coisitas que todas as adolescentes ecrevem naqueles diários, que havia há 20 anos. Cheirosos, cheios de bonequitos, com um cadeado para proteger todos os nossos segredos. Era um cadeado tão seguro, que a cabeça de um pequeno alfinete era o suficiente para abrir se não soubessemos da chave.
Mas havia coisas importantissimas que eu não podia contar a ninguém, tipo o rapazito de olhos azuis que servia no café que eu frequentava, tinha sorrido para mim. Será que queria dizer alguma coisa?
Ou quando eu estava prestes a dar o meu primeiro beijo, e não sabia muito bem como é que aquilo se fazia.
Ou o que usar para a primeira vez que eu ia ao cinema com um rapaz?
A vida com 14 anos era tão simples, tão cheia de coisas novas todos os dias, tão cheia de mistérios.
Depois dei o meu primeiro beijo (que foi muito mais simples do que eu pensei e, nem sequer correu tão mal como eu pensava), fui ao cinema com um rapaz (mas nem foi assim tão bom).
Mas era tudo coisas emocionantes e cheias de empolgação.
Mas os anos vão passando, e as coisas começam a ficar diferentes. Claro, que os rapazes continuam a ser importantes, ou ainbda mais, claro que temos sonhos e ilusões, mas também há outras coisas para pensar.
Aos 16 anos, os meus pais separam-se. Agora, 17 anos mais tarde percebo porque. Mas isso contarei mais à frente.
A escola é uma chatice (e como eu gostava de estudar), andar a passear com os amigos e conhecer gente nova, era muito mais fixe. E ajudava a não pensar que os meus pais não estavam juntos.
Sempre que podia inventava uma desculpa para não ir para casa, pois o meu pai deveria estar bebado ou demasiado chateado comigo, por algo que eu não tinh feito.
Até que chegou o dia. Chegou o dia em que percebi que a pessoa que eu sempre tinha amado e adorado era um ser humano normal, cheio de defeitos, cheio de ideias retrogadas e parvas. Cheio de ideias pré-concebidas e idiotas. Cheio de ideias já ultrapassadas.
Fianlmente, entendi que por causa dele já não estava com a minha mãe e, que lentamente estava a perder o meu adorado avô. O meu querido companheiro.
e esta minha primeira página é totalmente dedicada a ele.
é a carta que eu gostava que chegasse ao local onde ele hoje possa estar, porque apesar de todos estes anos sinto a falta dele e, só tem tendência para aumentar.

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