domingo, 18 de novembro de 2007

Para o meu avô

Olá meu querido,

Que saudades tenho tuas. Que falta me fazes, não só quando estou triste, mas também quando estou feliz. Tal como quando eu pequena, e chegava da escola para correr para o teu colo. O teu colo tão querido e terno, tão cheio de amor.
Lembro de tantas coisas tuas. Lembro que gostavas de ouvir os parodiantes, todos os dias à hora do almoço....
lembro-me que gostavas de fumar o teu português suave sem filtro, e de estar sentado no teu cadeirão à frente da janela, embrulhado no teu roupão.
De me sentares ao teu colo para me ajudares a fazer os trabalhos da escola. e a paciência que tu tinhas, para as mihas birras de criança tonta e mimada.
De me ires buscar à escola enquanto conseguias ver. Das bolas de berlim que me compravas para o lanche.
Lembro-me de saires sempre de fato e com a tua boina caracteristicas. de me ires tapar à cama, de me diseres que eu era a tua netinha e, que gostavas de mim.
Lembro-me de quando já era mais crescida de me dares conselhos para os pais não ralharem comigo. E das lições de vida.
Lembro-me de pouco antes de sair de casa para ir para ao pé da mãe, tu encobrires as minhas saídas para o pai não ralhar comigo.
Lembro-me do teu olhar, parecia gasto e usado, nesses oculos enormes. Lembro-me de apesar já seres velhinho me ajudares a arrumar a casa.
Lembro-me de seres quase careca, só com meia duzia de cabelos totalmente brancos.
Mas não me lembro da tua cara, não me lembro do teu cheiro. E isso deixa-me como que perdida.
Se soubesse o quanto preciso de ti para me orientares, para falar dos meus problemas, paa falar dos meus medos. Para te mostrar o meu filho. Ias adorá-lo, acho que ele faz lembra a tua netinha quando era pequenina.
Há dias que se estivesses vivo correria para ti, na busca do abraço que preciso para me dar forças, do calor que me iria aquecer a alma, do amor que só tu me soubeste dar.
Sei que me amas-te pelo que eu era, pelo que me ensinas-te a ser e por eu existir. E eu amo-te ainda hoje, apesar de não te poder ver, de não te poder cheirar, de não te poder abraçar.
E há tantas noites que adormeço a pensar em ti, a imaginar que ainda me vens aconchegar na minha cama.
Só não me perdoo por nao me ter despedido de ti....mas não tive a culpa. Não soube. Não me disseram. E perdi-te para sempre, porque acho que não me perdoaste por eu não ter ficado contigo.
Mas quero-te dizer, que vou-te amar sempre enquanto a minha memória me deixar recordar. E mesmo que não me recorde, tenho a certeza de que estaras sempre comigo, apesar de não te sentir.

18 NOVEMBRO 2007

Meu caro amigo,
Nunca escrevi nada, ou melhor escrevi as coisitas que todas as adolescentes ecrevem naqueles diários, que havia há 20 anos. Cheirosos, cheios de bonequitos, com um cadeado para proteger todos os nossos segredos. Era um cadeado tão seguro, que a cabeça de um pequeno alfinete era o suficiente para abrir se não soubessemos da chave.
Mas havia coisas importantissimas que eu não podia contar a ninguém, tipo o rapazito de olhos azuis que servia no café que eu frequentava, tinha sorrido para mim. Será que queria dizer alguma coisa?
Ou quando eu estava prestes a dar o meu primeiro beijo, e não sabia muito bem como é que aquilo se fazia.
Ou o que usar para a primeira vez que eu ia ao cinema com um rapaz?
A vida com 14 anos era tão simples, tão cheia de coisas novas todos os dias, tão cheia de mistérios.
Depois dei o meu primeiro beijo (que foi muito mais simples do que eu pensei e, nem sequer correu tão mal como eu pensava), fui ao cinema com um rapaz (mas nem foi assim tão bom).
Mas era tudo coisas emocionantes e cheias de empolgação.
Mas os anos vão passando, e as coisas começam a ficar diferentes. Claro, que os rapazes continuam a ser importantes, ou ainbda mais, claro que temos sonhos e ilusões, mas também há outras coisas para pensar.
Aos 16 anos, os meus pais separam-se. Agora, 17 anos mais tarde percebo porque. Mas isso contarei mais à frente.
A escola é uma chatice (e como eu gostava de estudar), andar a passear com os amigos e conhecer gente nova, era muito mais fixe. E ajudava a não pensar que os meus pais não estavam juntos.
Sempre que podia inventava uma desculpa para não ir para casa, pois o meu pai deveria estar bebado ou demasiado chateado comigo, por algo que eu não tinh feito.
Até que chegou o dia. Chegou o dia em que percebi que a pessoa que eu sempre tinha amado e adorado era um ser humano normal, cheio de defeitos, cheio de ideias retrogadas e parvas. Cheio de ideias pré-concebidas e idiotas. Cheio de ideias já ultrapassadas.
Fianlmente, entendi que por causa dele já não estava com a minha mãe e, que lentamente estava a perder o meu adorado avô. O meu querido companheiro.
e esta minha primeira página é totalmente dedicada a ele.
é a carta que eu gostava que chegasse ao local onde ele hoje possa estar, porque apesar de todos estes anos sinto a falta dele e, só tem tendência para aumentar.