segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

HOJE

Hoje, como em tantos outros dias acordei, sem qualquer tipo de vontade de o fazer. Para quê acordar se não tenho qualquer objectivo, na minha vida.
Mas lá levantei-me, fiz as coisas automáticamente, quase de olhos fechados, dei beijocas ao meu loirito (que é a parte do dia que mais gosto) e, lá sai eu para mais um dia de seca.
Para não variar, não sinto energia, não me  sinto bem comigo mesma, não gosto nem quero viver a minha vida. Tudo para mim não tem grande sentido, tudo me cansa, me satura, me enerva.
Não sinto alegria, satisfação, não me sinto concretizada. Sinto um vazio e uma infelicidade que quase não saõ suportáveis.
Isso e o cansaço. Um cansaço persistente, doloroso, que me deixa completamente apática.
São dúvidas atrás de dúvidas na minha cabeça. Uma sensação de fracasso, culpa, fraqueza. Como se tudo o que fiz e faço, não tivesse qualquer sentido.
Nada do que tenho me completa, me faz feliz, me faz rir. Estou sempre irritada, amargurada, como que confinada a uma jaula da qual não consigo sair.
Não sinto amor por nada, nada me dá prazer, nada me entusiasma. E as poucas coisas que me animam são efémeras. O meu filho...adoro-o, mas eu sei que ele sente a minha tristeza e isso reflecte-se no seu comportamento. Claro que me dá muitos beijos e mimos, que adora adormecer comigo, mas infelizmente é pequeno demais para me dar o apoio que necessito, para me ajudar a suportar o dia a dia.
Ele não compreende o que sinto, pois para ele a vida ainda é tão simples. Não percebe porque é que a mãe está sempre a chorar, porque é que a mãe não brinca com ele, porque é que a mãe está sempre cansada.
probrezinho, é tão doce, tão fofo, que não merece que a mãe dele se sinta assim.
Tudo para mim é dramático. Uma peça de roupa fora do sitio, uma tarefa para fazer, um dia para viver.
Sei que tenho amigos em quem me apoiar, mas parece que nem isso me deixa mais calma, mais confortável.
Queria poder ter a opção de sair de casa, estar sozinha, reflectir, pensar no passado, no presente e no futuro.
Queria poder deliberar uma estratégia para poder suportar a vida. Obter uma nova prespectiva, ver as coisas mais simples.
Estou sempre em constante delirio no meu interior, gritando por uma solução. Doi-me a alma, o coração.
Sinto que tudo o que quis alcançar, tudo o que sonhei, tudo o que imaginei e que um dia alcancei, deixei desmoronar.
Pior que tudo é que não tenho vontade de voltar a reconstruir.
Sinto culpa por não conseguir pensar positivamente em relação ao meu casamento, sinto culpa por estarmos como estamos, sinto culpa de não ter conseguido evitar a situação financeira em que nos encontramos, sinto culpa de não ter vontade de lutar.
Sinto culpa por saber que estou a magoar o meu marido, mas neste momento só consigo olhar para ele como um grande amigo.
E sofro, por saber que o estou a magoar. Não sirvo para nada. Para ser mãe, mulher, esposa, o que for.
Não sirvo para ninguém, pois ninguém que saber de alguém que não quer viver. E eu também não quero ninguém do meu lado.
Sinto que não capacidade para suportar uma vida a dois, para viver com alguém do meu lado, aquem temos que nos adaptar constantemente.
Só quero o meu bebé ao meu lado, pois é a única coisa que me dá alegria e conforto.
Não sei sequer se tenho capacidade para amar, pois se nem sequer me amo a mim.
A minha vida está um caos, insuportável de viver.
E não consigo encontrar uma saída.....
Hoje.