terça-feira, 8 de julho de 2008

Mulher Guitarra

Encosta-me ao teu peito bem perto do coração. Ajusta-me ao teu corpo – bem devagar.
Dedilha suavemente os fios do meu cabelo.
Quero seduzir teus ouvidos e ser seduzida pelo teu toque.
Sou semitom, aguda ou grave, escolhe-me. Posso ser temperada, que tal provar?
Toca-me com cuidado até que as tuas mãos caminhem sem vacilo e que as minhas curvas te conduzam ao delírio. Dedilha de novo os teus dedos calmamente para despertar meu desejo. Ouve as minhas notas mesmo que algumas desafinem. Com paciência vamos compondo poesias ritmadas e canções inesperadas. Tenho o meu valor. Descubre-me. Desnuda-me...
Segura-me firmemente com toda a extensão da tua mão e do coração, para que eu tenha a absoluta certeza que não cairei do teu colo. Não deixes um só espaço entre as tuas mãos e as minhas cordas - tenho medo de silenciar-me. Preciso que me toques diariamente e ouças meus sons tolos, meus concertos estranhos, meus prelúdios todos.
Sou de intervalos, de oito e oitavas. Ouça o nosso timbre certo na mais bela harmonia.
Quero as tuas mãos me inspirando a versar em cordas, a cantar em notas transpirando tons nesse compasso do coração.