segunda-feira, 7 de julho de 2008

Acordar


Hoje acordei com uma estranha sensação de vazio, de frio, de solidão… Levantei-me da cama com a determinação de quem queria fazer deste dia, um dia especial, com a convicção de que não me queria deixar arrastar pela vida, mas sim vivê-la. Mas os pés e as pernas não obedeceram à minha ordem e aninhei-me novamente no edredon com vontade de me esconder, de mim, da vida, com a esperança de adormecer e só voltar a abrir os olhos quando pudesse ser feliz de novo. Quando finalmente ganhei coragem, levantei-me. O meu loirinho ainda dormia de bochechas encarnadinhas, acerquei-me dele, beijei-lhe o rosto e admirei-lhe a tranquilidade do sono. Olhei-oscom a certeza de que, talvez, na minha vida só eles valha a pena, só ele mereça o meu amor, só ele me ame, só eles olhe para mim como se eu fosse a pessoa mais importante da sua vida e que… só ele precisem de mim. Caiu então a primeira lágrima, aquela que sufoquei na alma e na garganta desde que abri os olhos e senti-a no rosto como uma espada afiada. " Tu fazes o teu dia, tu é que escolhes como ele vai ser!!!» Entrei no duche decidida a deixar de ter pena de mim, decidi que a água do meu banho iria lavar toda a tristeza, toda a minha alma. Vesti-me o melhor que pude, pintei-me, enchi-me de perfume e fui preparar o pequeno almoço.
A cada dia que passa, mais me convenço que devo partir para uma nova vida. Que seria muito mais feliz, só com o meu pardalito. Arranjar um cantinho para os dois, para vivermos abraçadinhos, os poucos minutos que conseguimos estar no dia. Viver feliz com ele, sem ninguém a cobrar-me qualquer coisa. A viver, sem ninguém a chamar-me parva. A viver, sem me chamarem conflituosa, mesquinha, orgulhosa, estupida.
A viver, com muito amor. Neste momento, só consigo sentir um vazio, uma solidão imensa. Um frio no meu coração. Queria sair a correr para algum local onde me pudesse refugiar de todas as amarguras do mundo.
Infelizmente, não posso, por isso tenho que erguer a minha cabeça e tentar continuar a ser aquilo que sempre fui, uma lutadora.

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