Tenho frio...tremo, arrepio-me...sonho com uma mantinha aconchegante que me proteja e ampare. Deliro com o deitar da cabeça numa almofada comfortável e fofa.Anseio que as horas passem para que me consiga esconder do mundo e, da vida. Apetece-me encontrar um interruptor, onde pudesse durante algum tempo fazer off da minha vida.
Fechar os olhos e dormir sem que alguém sentisse a minha falta.
Sinto um vazio tão profundo em mim, que as vezes parece que vou esvaziar como um balão furado. Sinto que vou perder as forças e as minhas pernas vão ceder involuntariamente.
Procuro à minha volta por uma tomada onde pudesse encontrar a energia que necessito para continuar a viver e, lamentavelmente, as que encontro não servem para a minha ficha, ou não têm a voltagem correcta.
Sinto desvanecer toda a alegria que me costumava acompanhar, ou a pouca que restava. Olho para o que me rodeia e nada já me faz sorrir. Procuro incansavelmente, a luz ao fundo do tunel que me faça aquecer o espirito e que me transmita a força necessária para viver.
Em vão.
Por onde quer que me volte, apenas vejo escuro ou becos sem saída. Não vejo um buraco de esperança, uma janela com vista para a solução ou uma porta que me conduza a uma nova vida.
Busco ofegantemente por um abraço de conforto, um toque na cabeça, um beijo suave.
Busco um colo protector, um refugio, um abrigo.
Preciso de palavras de conforto, de incentivo, de força. Apenas decubro um silêncio ensurdecedor e desperante, de quem procura uma resposta.
E quando fecho os olhos ao fim do dia, apenas vejo uma vida sem significado, sem conquistas, sem calor, sem alegrias, sem cor.
E as lágrimas caiem, sem prenuncio de acordar quem quer que seja, de tão solitárias se encontram neste corpo rendido à tristeza.
Baixei os braços, aninhei-me na coberta quente e, apenas me resta esperar por mais um dia sem felicidade, calor ou significado.
Respiro apenas porque não consigo evitar de o fazer. Vivo, porque sim, mas sem qualquer razão para o fazer.
Até que um dia possa ter a benção de poder desligar para sempre.
Sem comentários:
Enviar um comentário